• Alepe discute sucateamento do IPA e falta de assistência técnica às pessoas da agricultura familiar

Os desafios dos trabalhadores rurais, inclusive em relação à falta de diálogo com o Governo Estadual, foram elencados, nesta segunda (14), em debate na Assembleia Legislativa. Parlamentares, representantes de sindicatos e movimentos sociais, federações, associações, assim como produtores rurais, criticaram a situação do Instituto Agronômico de Pernambuco (IPA) e cobraram mais ação da Secretaria de Agricultura para enfrentar os problemas vivenciados no campo. O Governo do Estado não enviou representantes para a audiência, o que foi duramente criticado pelos presentes.

Segundo dados do Sintape (Sindicato dos Trabalhadores Públicos da Agricultura e Meio Ambiente em Pernambuco), o IPA vem sofrendo queda anual de 30% em investimentos, impactando negativa na assistência às famílias beneficiadas pela extensão rural e nos empregados do instituto que não têm condições de trabalho.

O Sintape afirma que em Pernambuco houve uma queda acentuada no número de famílias atendidas pela extensão rural do órgão. “Em 2013, o número foi de 111.850 famílias. No ano de 2016, apenas 44.227. Esse cenário negativo vem se acentuando nos últimos anos, provocando temor nos funcionários do Instituto e na população assistida”, diz o estudo do Sindicato. A distribuição de sementes também teve queda drástica. “Saiu de 3 mil toneladas em 2010 para 1.531 em 2016″, diz o texto, que também denuncia a diminuição gradual de ações que visam o fortalecimento da agricultura familiar.

Na audiência, o presidente do Sintape, Adailton Melo, falou sobre a necessidade de investimentos em pesquisa e de apoio à agricultura familiar. “É de fundamental importância para o desenvolvimento de Pernambuco expor a situação que estamos enfrentando hoje”, frisou. A ausência de reajuste salarial nos últimos cinco anos, de concurso público, de atualização do plano de cargos e carreiras e da frota de veículos foi destacada por servidores do órgão. “É um absurdo que tenhamos 10% do quadro do IPA recebendo menos de um salário mínimo de remuneração-base”, criticou Adailton, mencionando também casos de falta de água e energia elétrica e até mesmo de pagamento do aluguel do imóvel onde funciona o escritório regional.

A deputada Teresa Leitão (PT) avaliou que “o que vem sendo feito com o IPA está no roteiro político do Governo do Estado, porque, do contrário, ele teria enviado algum representante para reconhecer os limites e desafios”.

Ao final do encontro, Teresa listou algumas questões apresentadas pelos participantes, como: apoio à comunidade do Bem Querer, em Jatobá (Sertão de Itaparica); reforço da importância do IPA para quem vive da pesca; protesto à ausência do Governo do Estado na discussão. A deputada também se lembrou do corpo técnico do órgão. “Tem a importância da convocação de concursados, reajuste salarial e implantação do plano de cargos e carreiras, além de questões relacionadas ao desenvolvimento da instituição”, disse.

A deputada Socorro Pimentel acrescentou, como encaminhamento, a busca por uma solução rápida para a manutenção dos veículos do instituto e a regionalização do debate por meio de novas audiências em outros municípios.

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