• PRONUNCIAMENTO | 11 DE OUTUBRO, DIA DO FREVO DE BLOCO

Senhores deputados, senhoras deputadas, hoje homenageamos o frevo. Esse genuíno ritmo pernambucano que em 2012 foi considerado Patrimônio Imaterial da Humanidade pela UNESCO e desde 2007 é Patrimônio Imaterial do Povo Brasileiro. Mas de tão complexo, de tão forte, popular, tradicional e enraizado em nossa cultura, o frevo tem várias formas de ser chamado. Uns dizem Frevo de Rua, ou Frevo Rasgado, aquele frevo frenético que nos embala por ladeiras e ruas ao som de trompetes e clarinetes. Já outros, chamam de Frevo de Bloco, ou Frevo de Pau e Corda aquelas belas músicas entoadas por corais, com bandolins, violões, cavaquinhos, também acompanhadas de metais e poesia. Não tem disputa entre os dois. São apenas, diferentes. Parafraseando o poeta do São Francisco, todos os dois eu acho uma coisa linda, eu gosto do Frevo de Rua e adoro o Frevo de Bloco. Mas hoje, especificamente, nossa homenagem é para o Frevo de Bloco, em comemoração ao que diz a Lei 15.105/2013, que institui no Calendário de Eventos do Estado, o 11 de outubro como data festiva dedicada ao frevo de bloco.

Para contar um pouquinho da história de como nasceu o Frevo de Bloco, temos que voltar para os anos 1920. No início do século XX, pelos costumes da época, não era “bem visto” que as mulheres participassem das festas de carnaval. Então, para que elas pudessem festejar, foram aparecendo blocos com canções de cadência suave e letras poéticas, inspirados nas serestas e nos pastoris. As orquestras de frevo de bloco, sempre lideradas por um coral feminino e por cordões de pastoras, pastores e crianças, faziam a distinção daquela manifestação cultural. À frente, ontem e hoje, tem o abre-alas do bloco, chamado flabelo, com o nome da agremiação e a data de fundação, empunhado pela flabelista. Os desfilantes fazem evoluções de forma cadente, calma e sem pulos.

Um apito seguido de um acorde em uníssono de toda a orquestra dá o sinal de início de execução de cada canção. O final da música também é marcado pelo apito. Na saída do bloco, entoa-se o hino e, ao final do desfile, quando o bloco se recolhe, canta-se o “regresso”, que é a marcha de despedida, com temática triste em alusão ao fim do Carnaval.

Portanto, os blocos líricos de frevo, são aqueles que entoam os Frevos de Bloco. Há pouco mais de 50 anos, com o crescimento dos cortejos, foram introduzidos os metais, para melhorar a sonoridade.

O primeiro bloco foi o Bloco das Flores, fundado em 1920, por músicos, compositores e carnavalescos liderados por Felinto, Pedro Salgado, Guilherme, Fenelon e Raul Moraes. Assim como ele, outras agremiações antigas como Madeira do Rosarinho, de 1926, o Banhistas do Pina, de 1932 e Batutas de São José, de 1932, ainda estão em atividade.

Tem os mais jovens e também muito atuantes, como é o Bloco Flor da Lira da Olinda, quarentão que já foi homenageado por essa Casa, assim como também foram os Banhistas do Pina.

E o Frevo de Bloco só resiste, por que essa é a palavra, resistência, por conta desses guerreiros e guerreiras que fazem a cultura pernambucana. Aqui em Pernambuco ainda se toca frevo por causas de vocês. Porque a pressão é muito forte e o apoio ainda é muito escasso. Louvo aqui nessa Tribuna todos os deputados dessa Casa que destinam emendas parlamentares e apóiam de alguma maneira a cultura popular, seja o Frevo de Bloco, seja o Maracatu, seja o Caboclinho. Temos que resistir, ainda mais, em momentos de tão descontente cenário político que vive nosso país, com nossa dignidade, nossa cultura, nosso povo sendo usurpados e maltratados.

Onde a cultura popular é forte, também é forte o povo. Onde existe cultura popular, essa força se reflete na educação, na civilidade e no convívio social. Quando um povo não se identifica com sua cultura mais legítima, nasce a alienação cultural e a dominação dos nossos jovens pela violência e por aquele sentimento terrível de falta de pertencimento, de “não ter o que fazer”.

E hoje é um dia muito feliz, de muita alegria por causa desse homenageado, que como já sabemos, é um Patrimônio Imaterial, mas é tão querido e admirado no mundo, que não pode ser esquecido nas solenidades oficiais, muito pelo contrário, deve ser festejado o ano inteiro!

Parabéns para toda a gente que faz o Bloco Lírico. Para as costureiras, para as senhoras aposentadas, as donas de casa, as jovens há mais tempo, que participam da ala das baianas, que costuram as indumentárias, que cantam no coral, que dão sua contribuição na beleza e no funcionamento do bloco. Parabéns para os músicos, para os compositores, para as passistas, para as flabelistas, para os passistas, para os seguranças, aquelas e aqueles que ajudam na maquiagem, para os familiares que acompanham e apóiam o bloco, parabéns para a diretoria de todos os blocos líricos. Eu sou uma admiradora e acompanho beleza do frevo de pau e corda, das canções dos blocos líricos. Parabéns Pernambuco, berço do Frevo de Bloco, Patrimônio do Nosso Estado.

 

DEPUTADA TERESA LEITÃO

Sala de Sessões Plenárias

Recife, 10 de outubro de 2017

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