• Pronunciamento – Última Sessão Plenária no Palácio Joaquim Nabuco

Senhoras deputadas, senhores deputados, esta é a última sessão plenária que se realiza no Plenário Joaquim Nabuco, que funciona como tal há 142 anos. Há 142 anos gerações de deputados, poucas deputadas, passam por aqui sob o patrocínio desse padrinho tão ilustre na vida do Brasil, não apenas de Pernambuco. Ele tem poucas homenagens de pedra e cal, acho que esta daqui, talvez, seja uma das mais relevantes. Temos a Fundação Joaquim Nabuco, temos uma escola estadual na Rua Imperial, temos a Praça Joaquim Nabuco no Centro do Recife, temos uma faculdade recentemente criada, outras de menor vulto, e essa Casa, que passará a ser Museu Joaquim Nabuco. Gostaria de dedicar meu pronunciamento a este ilustre filho do Brasil que foi emprestado ao mundo pela suas ideias e pelos seus posicionamentos.

Joaquim Aurélio Nabuco de Araújo nasceu no Recife, no dia 19 de agosto de 1849 e morreu em Washington, em 17 de janeiro de 1910. A biografia dele diz que a primeira coisa que ele foi:  foi um político, diplomata, historiador, jurista, orador e jornalista brasileiro formado pela Faculdade de Direito do Recife. Foi um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras. Na data de seu nascimento, 19 de agosto, comemora-se o Dia Nacional do Historiador, pela importância que ele teve na historiografia e na história do Brasil.

Foi um dos grandes diplomatas do Império do Brasil (entre 1822 e 1889), além de orador, poeta e memorialista. Era, inclusive, um monarquista, mas que praticava na política as teses da república.

Joaquim Nabuco se opôs de maneira veemente à escravidão, contra a qual lutou tanto por meio de suas atividades políticas e quanto de seus escritos. Fez campanha contra a escravidão na Câmara dos Deputados em 1878 e em legislaturas posteriores, quando liderou a bancada abolicionista naquela Casa, e fundou a Sociedade Antiescravidão Brasileira, sendo responsável, em grande parte, pela abolição da escravidão no Brasil, em 1888.

Joaquim Nabuco era uma antítese de sua classe. Membro da elite, nasceu na casa grande, mas que se interessava e militava na causa dos oprimidos.  E a libertação da senzala foi a sua grande bandeira. Durante o período da sua militância abolicionista, Nabuco foi um tribuno combativo. E seu livro de 1883 – O abolicionismo –, aponta o caráter predatório e a natureza economicamente estagnante do regime servil, em termos que se tornaram comuns na literatura sociológica contemporânea. Verdadeira tese, não apenas do humanismo, da igualdade social, mas também do desenvolvimento econômico.

Segundo ele, uma construção nacional brasileira bem-sucedida seria o resultado de um esforço civilizacional vindo do alto e que acomodasse ou integrasse o que resultara da escravidão: grupos sociais dispersos, vítimas ou dependentes do regime escravista.

Mais tarde serviria como embaixador nos Estados Unidos, entre 1905 e 1910. Nabuco foi um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras, tomando assento na cadeira que tem por patrono Maciel Monteiro. Entre os imortais, manteve uma grande amizade com o escritor Machado de Assis, que de tanta admiração, mantinha até mesmo um retrato de Nabuco pendurado na parede de sua residência.

Nabuco era um monarquista e conciliava essa posição política com sua postura abolicionista. Atribuía à escravidão a responsabilidade por grande parte dos problemas enfrentados pela sociedade brasileira, defendendo, assim, que o trabalho servil fosse suprimido antes de qualquer mudança no âmbito político.

A abolição da escravatura, no entanto, não deveria ser feita, segundo Nabuco, de maneira ruptúrica, ou violenta, mas assentada numa consciência nacional dos benefícios que tal resultaria à sociedade brasileira. Tese esta bastante contestada, sobretudo pelos movimentos de resistência e quilombolas.

Também não creditava a movimentos civis externos ao parlamento o papel de conduzir a abolição. Esta só poderia se dá no parlamento, no seu entender. Fora desse âmbito cabia somente assentar valores humanitários que fundamentariam a abolição quando instaurada.

Era uma visão valorativa do Parlamento e do exercício parlamentar e da política, hoje praticamente inexistente. Nós somos acusados de não gostar de trabalhar, de não ter o que fazer, de ser um poder inútil, que pode ser abolido sem fazer falta à democracia.

A visão que Nabuco tinha era uma visão de relevância e importância. A importância dada por ele ao exercício político e a atuação parlamentar encontra ressonância em sua própria postura de respeito e de rigor à causa pública.

Espero que o museu Joaquim Nabuco, a ser instalado nesta Casa, depois da sua reforma, preserve a memória de Joaquim Nabuco para futuras gerações. E que os jovens vejam nele um exemplo a ser seguido pelo rigor da sua postura, pela consistência de suas teses e pelo legado que deixou para todos os pernambucanos, todos os brasileiros e todo o mundo. Viva Joaquim Nabuco. Saudades terei em tê-lo como patrono.

 

Sala das Reuniões Plenárias

 

Recife, 29 de junho de 2017

 

 

Teresa Leitão

Deputada Estadual de Pernambuco

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