• Seminário aprofunda debate sobre democracia e educação e as bases curriculares do ensino

A importância da educação para a democracia esteve em foco no último dia do Seminário de Educação do Poder Legislativo. A sexta edição do evento, promovido pela Comissão de Educação e Cultura da Alepe, reuniu cerca de 200 participantes na terça (5) e nesta quarta (6), sob o tema “A Educação no Bicentenário da Revolução Pernambucana de 1817”.

No debate realizado na Conferência “Educação e Democracia”, com palestra ministrada pelo professor do Centro de Educação da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Flávio Brayner, as medidas tomadas pelo Governo Federal na Reforma do Ensino Médio foram duramente criticadas. O professor afirmou que as ideias do Movimento Escola Sem Partido são uma ameaça à visão crítica, que deve ser incentivada nos estudantes em sua formação escolar.

“O objetivo do Movimento Escola Sem Partido é anular a crítica. Em nome da neutralidade diz que eu poderia dar uma aula sem uma escolha de valores. Qualquer que seja o currículo, ele está submetido a valores e interesses sociais, das famílias, da sociedade”, expressou Brayner.

“O regime democrático é o único que se fortalece com a crítica”, disse. Para ele, a escola tem a capacidade de oferecer autonomia aos estudantes. “Autonomia é quando eu posso estabelecer minha própria norma, a partir de critérios da razão, discutido com outras pessoas em sociedade”, explicou.

À tarde, no Painel “A Base Nacional Comum Curricular (BNCC): mudanças e perspectivas” tratou da polêmica entre as duas últimas versões do documento. A BNCC é um documento de caráter normativo que define o conjunto de aprendizagens essenciais que todos os estudantes devem desenvolver na Educação Básica e está em sua terceira edição, sendo a primeira de setembro de 2015, a segunda de maio de 2016 e a terceira entregue ao MEC em abril deste ano.

A professora da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), Edênia Maria Ribeiro do Amaral, lamentou a forma como a terceira versão da BNCC foi elaborada e modificação, já na atual gestão do Governo de Michel Temer e seu ministro da Educação, Mendonça Filho. Ela afirmou que a retirada de palavras como “democratizante”, “relação com a natureza”, “diversidade”, “pluralidade” é somente um exemplo de escolha ideológica prejudicial ao texto.

Já o professor e diretor do Colégio Equipe, Armando Reis Vasconcelos, afirmou que a BNCC deve ser tratada como uma “política de governo”. Para ele, o documento em sua terceira versão vai sair “atropeladamente” incompleto e sem legitimidade.

A presidente da Comissão de Educação e Cultura, deputada Teresa Leitão (PT) considerou o evento positivo porque trouxe para “dentro da educação” o significado da Revolução de 1817. “O debate sobre educação e democracia pontuou as relações em uma República com a educação e como a gente ainda tem contradições”, disse. A deputada destacou a participação do público. “Foi mais uma ação da Comissão de Educação em direção ao diálogo e a participação da população”, concluiu.

O Seminário foi encerrado com lançamento de livros e um recital de poemas. No primeiro dia compareceram 170 inscritos e no segundo 150, que receberão certificado de participação emitido pela Escola do Legislativo. O Seminário de Educação do Poder Legislativo está em sua sexta edição e foi instituído no calendário oficial da Assembleia Legislativa por determinação da Resolução nº 726, de 2005.

 

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