• PRONUNCIAMENTO – Teresa homenageia 60 anos do DIEESE

Senhores deputados, senhoras deputadas

Estamos aqui nesta noite para prestar homenagem a uma entidade que teve um papel fundamental na luta dos trabalhadores, desde a sua fundação, em 1955.

Estamos falando do Dieese – Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos, que hoje, com 60 anos de existência, se configura em uma entidade que é referência para o movimento sindical, tendo alcançando um importante nível de credibilidade não só nacional, mas internacionalmente.

O surgimento do Dieese veio da necessidade do movimento sindical em contar com uma entidade que trabalhasse os indicadores econômicos do país, com confiabilidade, servindo como parâmetro para as lutas sindicais. E isto era uma necessidade premente em 1950, devido ao intenso desenvolvimento industrial e urbano que o Brasil vivia, o agravamento das condições de vida da população e a suspeita de fraudes com relação aos índices econômicos, que só traziam prejuízos aos trabalhadores. E foi essa lacuna que o DIESSE passou a ocupar, se tornando o que é hoje: uma instituição de produção científica, que atua nas áreas de assessoria, pesquisa e educação e que orienta seu trabalho em eixos como emprego, renda, negociação coletiva, desenvolvimento e políticas públicas.

Sua fundação foi resultado da dedicação e do empenho de 20 dirigentes sindicais paulistas, tendo como primeiro presidente Salvador Romano Losacco, do Sindicato dos Bancários e como diretor técnico o sociólogo José Albertino Rodrigues, grande responsável por criar a linha política de atuação do DIESSE .

Um dos primeiros trabalhos do Dieese, ainda na década de 1950, foi uma pesquisa de padrão de vida das famílias paulistanas, que serviria como base para o Índice de Custo de Vida (ICV). A pesquisa era feita através do acompanhamento de famílias, que concordavam em participar, por um grupo de técnicos.

Após o golpe militar de 1964 o Dieese sofreu com a desarticulação do movimento sindical e foi impedido de realizar suas funções devido à intervenção no Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, onde estava sediado, retomando suas atividades em 1965. Mas todos esses ataques não enfraqueceram a atuação desse tão importante instrumento de consulta e dados para a classe trabalhadora. Foram os técnicos do Dieese, coordenados à época pelo economista Walter Barelli, que denunciaram, em 1977, que o índice oficial da inflação de 1973 havia sido manipulado, resultando em um rebaixamento dos salários. Esta denúncia abriu uma grande discussão na sociedade deflagrando uma série de manifestações operárias pela reposição salarial e deu grande visibilidade à entidade.

Com o passar dos anos, o DIEESE expandiu o número de pesquisas, ampliando seus estudos para o mercado e condições de trabalho, perfil de categorias profissionais, políticas públicas, renda, etc. O trabalho também atingiu outra dimensão e passou a abranger outras áreas, como a de assessoria às entidades sindicais durante as negociações salariais e formação sindical, atividade iniciada no final dos anos 70, com o objetivo de preparar os dirigentes para a atuação em defesa dos trabalhadores. Esse trabalho resultou na reaproximação do Departamento com a proposta para a qual havia sido criado, resgatando seu compromisso com a educação.

Em 1981, para renovar a base calculo do ICV foi criada a Pesquisa de Padrão de Vida e Emprego, PPVE, que se estendeu até 1983. A PPVE está na origem da Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED), lançada no final de 1984, em parceria com a Fundação Seade. A metodologia inovadora da PED aprofundava a identificação de componentes do desemprego que o IBGE camuflava. Com isso, a PED chamou a atenção da sociedade brasileira para da miséria do desempregado, em um contexto de elevados índices de desemprego.

Nas décadas de 1980 e 1990 o Dieese atravessou e superou vários momentos de crises financeiras, e às vezes de ordem sindical e até política. Entretanto conseguiu se firmar como um pilar do sindicalismo, produzindo dados confiáveis, apropriados também pela sociedade. Sua história se entrelaça com a do movimento sindical brasileiro e com o surgimento das centrais sindicais contemporâneas, que dirigem e financiam o Departamento.

 

Infelizmente, mesmo com a importância e credibilidade da PED, em 2015 trouxemos para esta Casa denúncias do não pagamento dos salários e da ameaça de demissão de 66 técnicos responsáveis pela pesquisa. No período, constatamos que o repasse do Ministério do Trabalho e Emprego para o pagamento havia sido feito, mas sem a contrapartida do governo do Estado o caminho não poderia ter sido outro: esses profissionais foram desligados de suas funções no final de 2015, trazendo prejuízos concretos para Pernambuco, que passou a não contar esse importante instrumento científico para o diagnóstico de informações.

Mas apesar do relato desse retrocesso sofrido na PED, não podemos deixar de registrar que em maio de 2010, a história do DIESSE foi coroada com a concretização de um de seus mais ambiciosos projetos: a fundação Escola Dieese de Ciências de ensino superior, com disciplinas de especialização para dirigentes sindicais. Segundo o diretor técnico da entidade, Clemente Ganz Lucio, com o objetivo de que “no futuro, jornalistas, economistas, advogados e juristas se especializem na questão do trabalho”.

Desde sua fundação, em 1955, o Dieese viveu um processo de expansão, consolidação e modernização. Mas sua história é marcada, principalmente, pela coerência com seus princípios fundamentais: buscar a unidade na ação sindical e servir à classe trabalhadora como um poderoso instrumento na clássica luta entre capital e trabalho. E é isso que constatamos ao observamos a trajetória de coerência e seriedade empreendida por esta entidade.

Parabéns a todos e todas que de uma forma, ou de outra ajudaram na construção e consolidação desta entidade.

 

Vida longa ao DIESSE!

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